Confesso que já nem sei…
Se foi lá que ela se perdeu,
ou se foi daqui que jamais saíra.
Ainda tento buscá-la
nas fotos que restaram.
Procuro qualquer rastro
que possa me revelar
seu esconderijo.
Sinto que nunca
cruzamos o oceano.
Acredito que não
partilhamos o sonho.
Não me lembro
de escutá-la
gargalhando.
E nem, sequer,
de assisti-la dançar.
Mas recordo-me
de seguir suas pegadas
na noite fria e
de encontrar seu conforto
na cama macia.
Sei que estava me cuidando,
escondida naquela árvore,
carregada de pétalas rosas.
Como eu disse…
Já nem sei…
Se foi lá que ela se perdeu,
ou se foi daqui que jamais saíra.
Só sei que sigo com a alma vazia.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
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