À minha vó querida, Zenyra, por quem sinto uma eterna saudade.
De longe, eu a
observava na sala.
Uma pergunta voejava
em minha cabeça, enquanto ela
deitava seu braço em sua testa.
Será que ela também sentia medo?!
Quando ela decidiu dormir,
demorei para aceitar.
Mas desejei que, ao
despertar, ela o encontrasse.
Não haveria de ser diferente.
Sempre que penso nela,
sinto o cheiro de praia.
Memórias de um passado
distante, e não tão
distante, tomam conta
dos meus sentidos.
Prefiro ficar com as
boas lembranças.
Suspeito que seja ela
quem ilumina
meus caminhos.
Gosto da ideia.
Fortalece meus desejos.
Às vezes, conversamos
em sonhos e sua boca
vermelha sempre
prende meus olhos.
Ao menos, sei onde
buscar suas mãos macias.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
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