
por Marcella Marx
Sou
índio vermelho com cocar empinado
a entoar melodias
e a cavar com as mãos
sou aquela chegando em caravela
mar adentro da saudade
eu sou aquele que avistou pau-brasil
que deixou as areias de Santos tragarem seus pés
vim assim, de outros portos
assoviando cantigas das terras de lá
eu sou aquela que chega só
aquele que embarca aos bandos
sou católica apostólica romana
eu sou a mãe judia a proteger seu filho
sou o que mostro e ainda mais o que escondo
eu sou curtido de sol
negra por dentro
por fora alvorada
sou do país da jabuticaba
eu sou cantando para meus orixás
rodando de branco pelo terreiro
sou eu o soldado erguendo a padiola
eu sou o caixeiro viajante a bater à porta
sou os que foram
os que são
os que estão por vir
sou eu
sou
eu
