Aos meus pássaros negros, Gugu, Jorge, Luísa, Laura e Lívia,
com muito amor.
Um pedaço do teu ventre.
Uma pena das tuas asas.
Um ruído das tuas palmas.
Um motivo para tua gargalhada.
Uma desculpa para teus abraços.
Um castelo majestoso.
Um pingo de tinta no papel.
Um sorriso confortante.
Um perfume estonteante.
Uma estampa delicada.
Uma ambrosia saborosa.
Uma melodia para divagar.
Uma levada da breca.
Um misterioso cabelo negro.
Uma mão carregada de carinhos.
São, unidas,
Minhas razões para amar.
Meus estímulos para viver.
Meus desatinos apaixonantes.
Minhas preciosas recordações.
Os cinco pássaros negros,
que acompanham este
aprendiz de passarinho.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
Ver todos os posts de Isabel Dall’Agnol