Menininha dos olhos negros,
Por que te escondes embaixo da mesa?
Não há mal algum em chorar.
Não há do que se envergonhar.
Menininha dos olhos negros,
Para que tanta solidão?
És tão pequenina e já
sentes tantos temores…
Menininha dos olhos negros,
Tu não imaginas quão preciosa é
tua vidinha desocupada.
E quão poderosa é
a tua inocência.
Menininha dos olhos negros,
Não mentirei para ti.
A vida é dura, exatamente
como tu pensas.
Mas não te preocupes,
menininha dos olhos negros.
Guarda os teus sonhos na tua
cabecinha pura.
E preserva cada rosa,
que te acompanha.
E as ame, com infinita liberdade.
Assim, menininha dos olhos negros,
Ainda que penses ao contrário,
nunca estarás só.
Mas não te esqueças,
menininha dos olhos negros.
Procura desfazer-te desse
semblante aflito.
Eu sei que será difícil.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
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