As espumas, que pintam teu céu,
fazem do teu verde arte.
É nas tuas estradas que descanso a alma.
É nas tuas estradas que escrevo para ti.
Tua gente simpática me encanta.
Escondem-se na chuva, mas sempre exibem
o seu mate para o sol.
E, em cada sorriso, carregam uma história.
Em Montevideo, voo como um pássaro.
Gosto de passear por aquelas ruas e
de assistir ao pôr do sol na Rambla.
Vago lento no tempo…
O Centro e a Ciudad Vieja arrastam-me para o passado.
Mulheres abrem as janelas compridas das casas antigas,
enquanto homens e carruagens deslizam
pelas margens do Teatro Solis.
Perdi o fôlego ao me deitar em tuas dunas.
Perdi a hora na tua Laguna Negra.
Perdi o medo nas tuas praias.
Amo Cabo Polonio, do mesmo jeito que venero
a Colonia Del Sacramento.
Subir naqueles faróis foi como subir aos céus.
Não existem palavras para descrever o que encontrei lá.
Tua paisagem me confunde.
Sinto-me em casa.
Quero viver, para te ver mais uma vez.
Te quiero, Uruguay.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
Ver todos os posts de Isabel Dall’Agnol