Um tumulto se fixa à minha cabeça.
Ideias atormentadas se prendem
em cada pedaço do meu cérebro.
Meus músculos doem.
Não há nada mais além da escuridão.
Impossível enxergar qualquer claridade
em meio ao caos, que inunda o meu corpo pesado.
Sensação inútil, que me prende a ti.
Meus pés descalços permanecem grudados ao chão.
Meu esqueleto imundo está estacionado em vão.
Estamos abraçados, porque somos covardes.
De todos os vilões do homem,
preguei-me ao pior.
Estou amarrada ao medo.
No unimos em um pacto rigoroso.
E não há prazo para o seu fim.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
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