Vejo o mar.
Cheiro a praia.
Na boca, o gosto de maragato.
Ouço vozes, gargalhadas.
Posso sentir a mão de vocês.
Já estou de olhos fechados.
Meus sentidos me carregaram para o passado.
Confortam meu coração, minha alma.
Então, abro os olhos.
Meus sentidos me enganaram.
É fácil.
Mas basta abrir os olhos que, junto com os meus sentidos, tudo se vai.
Mais nada faz sentido.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
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