Tento tocar meu violão.
Escorrego os meus dedos sob suas cordas.
Ensaio alguns acordes.
Sussurro palavras.
Mas de nada adianta.
Não há música alguma.
Deslizo meu lápis em uma folha.
Traços abstratos tentam desvendar meus sentimentos.
Garranchos coloridos imitam olhos tristes.
Mas de nada adianta.
Não há desenho algum.
Encosto minhas mãos no teclado.
Meus olhos descansam
na tela branca do computador.
Pensamentos vão e vêm…
Não consigo descrever nenhum,
então apenas jogo algumas palavras.
Mas de nada adianta.
Não há texto nenhum.
Quero ler um livro.
Encontro as primeiras frases.
Elas estão misturadas.
Não fazem sentido.
Minha mente voa longe
e, mesmo assim,
tento me concentrar.
Mas de nada adianta.
Nada faz sentido.
Eu estou pela metade.
Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
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