
por Cassiano Rodka
O escritor sem a musa entra em desuso. Fica confuso. E sua escrita, um tanto obtusa. Com a musa, ele é profuso. Usa e abusa do sentido. Mas quando ela se recusa, ele entra em parafuso. E cai da cama, perde o fuso. Mas quando ela tira a blusa, ele ama e ele acusa. Escritor efuso. Faz da musa seu texto concluso. Um intruso da alma, um poeta recluso.
Ó, escuso criador deste mundo, ouça essa prece difusa e traga ao escritor uma musa que cale uma ópera de Caruso.
Publicado por Cassiano Rodka
Cassiano Rodka é escritor, jornalista, músico e DJ. Desde 2005, é editor do site PáginaDois (paginadois.com.br) junto à escritora Clarice Dall’Agnol Casado, onde publica seus contos, crônicas e poesias, e assina as colunas de Música e Quadrinhos. É autor do livro Partituras (Editora Buqui, 2014) e tem diversas publicações em antologias e revistas. Em 2017, criou o site cassianorodka.com, um espaço que reúne todos os textos publicados nas mais diversas mídias, além de trazer em primeira mão as novidades do universo do escritor.
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