Clarice Dall’Agnol

Literatura

Presente

imagem: José Calimero

Você assusta⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Ainda que tão pequeno⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Ainda que quase nada⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Nada?⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Você que já é um todo⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
E que já faz um tanto⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Mas assusta ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Medo ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Medo do ausente ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Medo presente ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Não durma ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Não se empurre ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Não desande ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Não… ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Esteja ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Presente⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
No ausente ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Do âmago⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Do eixo⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Do meu ser ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Ausente⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
De presente ⠀⠀

Literatura

Casa antiga

imagem: Isabel Dall’Agnol

Fazia muitos anos que ela não passava por ali. E, um dia, perdida, à procura do supermercado – “se ao menos, tivesse bateria para ligar o Waze”, ela pensou; mas, sim, em meio à pandemia, sua cabeça andava desligada –, deparou-se naquela rua, antiga às suas memórias, na qual descansam tantas e tantas histórias. 

Desacelerou. Então o carro passou a deslizar devagar; agora, a rua parecia tão pequena e os prédios e casas mais baixos. 

Não sabia o que a levara até lá – sem querer ou querendo –, mas pensava a respeito quando, de repente, no fim da rua, já próxima à última esquina que encostava naquela outra rua principal, a encontrou: a casa em que vivera a sua infância. Ou os seus destroços. 

Sim, a casa estava, mas já não estava. 

Estacionou de súbito e sem pensar. 

Assim, parada em frente à casa, percebeu de cara que a fachada, que era protegida por aquele muro de pedras e cerca de ferro, transformara-se em vidros. 

A porta da entrada, que encostava no canteiro de flores, assim como as grades que abrigavam cada passagem de um dos carros de seus pais, havia resultado em um deque cheio de mesas e cadeiras.

Sentiu algo por dentro, mas que não sabia identificar. Talvez a ausência do seu berço.

Então ingressou no local que, agora, era um restaurante com mais e mais mesas e cadeiras por dentro, bem como plataformas de comidas e bebidas que amplamente cobriam o que eram as salas de sua casa – já não havia paredes –, e com alguns garçons, todos mascarados e com aparência simpática. Ao menos com olhos simpáticos.

Seguiu caminhando devagar e percebeu que estantes faziam parte daquilo que era o seu pátio e que a parreira já não existia.

Ah! Aquela parreira! Que não dava uva, mas dava uma sombra gostosa e protegia as meninas e suas brincadeiras. 

Também notou que já não existia aquilo que eram os fundos da casa. 

Os fundos… Onde sempre encontrava o seu pai. Os fundos, que quase eram o seu pai, pois, como ele, rodeados de aventuras e imaginação. 

Então virou-se, pois chegara ao final do novo restaurante e, repentinamente, seus olhos encheram-se de lágrimas. Atravessou-lhe ainda mais a ausência daquelas paredes que viviam vestidas de quadros e pratos, colocados por sua mãe, misturando a sua essência com aquela casa.

E deu-se conta: não encontrava as meninas, nem o seu pai, tampouco a sua mãe. 

Ao olhar para a frente do restaurante, ainda da parte de dentro, percebeu que um dos garçons a notava e vinha a seu encontro. 

Já ia avisá-lo que estava de saída quando reconheceu, num cantinho, escondidas por uma espécie de muro de gesso, as escadas da sua infância. Para a sua surpresa, estavam quase intactas, mas não possuíam mais a antiga forração. 

Deparou-se com aquele homem à sua frente e soltou-lhe as palavras: “Poderia subir as escadas?”

Ainda que sem explicações, mas com um semblante que parecia entender o que se passava, o homem afirmou com a cabeça. 

Na subida, sentiu a ausência dos enfeites que rodeavam aquelas escadas, agora tão peladas, e das risadas e corridas das quatro meninas que ali brincavam.

Finalmente, no segundo andar, percebera que o pequeno corredor se mantinha – ainda que sem a forração –, mas que cada porta dos quatro cômodos agora era de vidro, assim como as janelas. Estranhas paredes de gesso dividiam os espaços dentro dos três quartos onde antigamente dormia e sonhava aquela família. 

Mas logo percebeu que já não eram os mesmos quartos, dificultando a presença de qualquer lembrança que ali houvesse morado.

Depois de espiar essas peças, sobrara, enfim, o banheiro, bem à esquerda do pequeno corredor, já sem forração. 

Resolveu olhar apenas para dizer que não deixou de passar pelo banheiro afinal. 

E, então, viu que o espelho ainda sentava sobre a pia de mármore, que deitava por cima das portas de madeira. Ainda havia o mesmo chuveiro com portas de vidro, assim como a mesma privada quadrada.

Então sorriu. 

A privada quadrada, motivo de tantas piadas de seu tio, ainda estava lá.

Ainda estava lá.

O banheiro ainda estava lá.

Assim, subitamente, ali à sua frente, a tal pia se encheu de quatro escovas de dentes, duas pastas, um copo azul, um porta-sabonete, algumas toalhas e o seu reflexo, agora infantil, acompanhado pela imagem de suas três irmãs, também crianças.

Ao fundo, passou a escutar alguma melodia dos Beatles, enquanto, aos pés da escada, ecoava a voz de sua mãe chamando para o jantar. 

Sim…

O banheiro ainda estava lá. 

Ainda havia um pedacinho de sua casa por fim; ali, no novo restaurante, na quase esquina da Bordini com a Cristóvão Colombo.

Sentiu, então, um alívio e deu-se por satisfeita. Despediu-se dos homens mascarados e dirigiu-se ao seu carro, que percebera tão mal estacionado. 

Ligou o motor, pegou a primeira à direita e partiu, dando-se conta que sabia o caminho para o supermercado, ainda que tão distante. 

O rádio ligou-se automaticamente. Quando as portas trancaram-se, – surpresa! – uma velha canção já dançava aos pés de seus ouvidos, gritando por “Hallelujah” e “Hare Krishna”.

Lágrimas e lágrimas deslizavam por seu rosto e pingavam nos seus lábios cheios de batom e sorridentes.

Foi quando percebeu o que a levara até lá: o destino, a sina, a saudade, sedentas de lembranças, atiradas no fundo da velha casa. 

Estas mesmas, que já pareciam tão distantes e insignificantes, mas que, na verdade, estavam vivas – e muito vivas – a partir da beira das escadas da antiga casa.

O passado, o presente, o futuro: não estão, estão, sempre estão…  

A disparar.

Literatura

Isolamento

Em casa,⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
ela não está ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
protegida ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
do vírus⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Ele pode⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
mas não quer ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
respeitar⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
a quarentena⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O entendimento ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
é limitado⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
fascinado por ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
discursos violentos⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
que desacreditam ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
da Ciência⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Sai e volta ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
quando quer⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
participa de carreatas⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
com outros homens⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
que agridem mulher⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O vírus está lá fora,⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
mas o medo ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
mora lá dentro⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O eco dos ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
gritos dele⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
ocupam toda ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
a casa⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
entram pelos⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
buracos da fechadura⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
giram a chave ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
e escancaram⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
todas as portas⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Do lado de dentro⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
uma criança ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
encolhida⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
suplica⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
para que⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
somente os gritos ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
lhe alcancem⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
e para que ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
sua mãe ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
escape viva⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Do lado de fora ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
sua mãe engole o choro⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
tenta não fazer ruído ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
e reza para que ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
o filho⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
nada escute.


O texto de hoje é da convidada Joziane Ferreira. Leia mais da escritora no perfil do Instagram @jozianepoesia

Literatura

Esfinge

imagem: Cassiano Rodka

“Vou ver quem devora quem”⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Clarice Lispector⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Escrever é a minha maneira de respirar,
É a bicicleta na chuva,⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
É recitar poemas com barulhinho do mar,
Dançar sem roupa na sala,⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
por mil e uma noites.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Explorar com avidez a segunda página,
Aquele tudo de outros tudos, ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Que vem ainda:⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
“O mundo é seu”, ela me disse.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
“Liberte-se”, ele me disse.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Ninguém é mais dona de mim do que eu mesma.
Sinto os sons do futuro, ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
E minhas mãos vazias, ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
prontas para agarrar todos os novos frutos.

Música

RODKA AWARDS: Melhores álbuns de 2020

Cerimônia do RODKA AWARDS 2020 apresentada por Cassiano Rodka.

Esse foi um ano fodido. FO-DI-DO. Mas através da música, nós conseguimos manter a sanidade, botar a boca nas atrocidades que nos rodearam e, por vezes, até nos desligar completamente do mundo. 

Quais foram os álbuns que abocanharam o Rodka Awards?

MELHOR ÁLBUM DE MÚSICA HUMANA: 

Fiona Apple – Fetch the Bolt Cutters

O hype em torno desse disco é 100% justificado. Enquanto o resto do mundo se rende cada vez mais a loops prontos e vozes processadas, Fiona Apple compôs uma seleção de músicas cruas e analógicas com foco no ritmo. Os vocais são viscerais e as letras, ferozes e sensíveis. 

MELHOR ÁLBUM ANTIFASCISTA:

Trupe Chá de Boldo – Viva Lina EP

Homenageando a arquiteta Lina Bo Bardi, a Trupe compôs um apanhado de canções que convoca à resistência. O conceito arquitetônico do disco nos clama a derrubar paredes, manter parques vivos e só construir aquilo que nos mantém conectados uns aos outros e à natureza. 

MELHOR ÁLBUM DE METAL COM SAMBA:

Machete Bomb – MXT

Cheio de featurings com a nata da nova música brasileira (e alguns das antiga também), esse disco do Machete Bomb não tinha como dar errado. Os caras já eram bons sozinhos, bem acompanhados então… Tem peso, tem brasilidade e é foda pá caralho. 

MELHOR ÁLBUM PRA ESQUECER QUE O MUNDO EXISTE:

Absynthe Minded – Riddle of the Sphinx

Músicas acústicas com arranjos psicodélicos. O Absynthe Minded é uma banda belga que tem um sabor pop, mas not really. O single Easy foi uma das minhas músicas preferidas para relaxar a cabeça num ano tão medonho. 

MELHOR ÁLBUM DE UMA BANDA NOVA QUE AINDA VAI TOCAR NO LOLLAPALLOZA:

PLUMA – Mais do Que Eu Sei Falar EP

O primeiro trabalho da Pluma expõe toda a leveza MPB e a maestria jazzística de uma banda que merece toda a atenção do mercado musical brasileiro e a sua também. É daqueles grupos em que cada um dos integrantes contribui com um ingrediente especial, então quando junta tudo… CABUM!! 

MELHOR ÁLBUM NOVO QUE É VELHO:

Mr. Bungle – The Raging Wrath of the Easter Bunny Demo

Surpreendendo a todos mais uma vez, o Mr. Bungle se reúne para regravar a sua primeira demo de 1986 onde eles tocam… DEATH METAL. Não é exatamente o que os fãs da banda esperavam, mas o disco apresenta essas canções em formato audível pela primeira vez e prova que o material é realmente bom. 

MELHOR ÁLBUM DE UMA BANDA QUE TAVA DEVENDO ALGO BOM DESDE 2010:

Eels – Earth to Dora

De volta à forma, o Eels fez um disco com uma vibe positiva e produção caprichadinha. Apesar de manter o formato folk e simples, os arranjos deixam claro que o compositor Mark Everett estava a fim de dar uma experimentada com acordes aumentados e diminutos que deram um up no som. 

MELHOR ÁLBUM PARA UM BAILE EM CASA: 

Marcelo Nakamura – Naka & os Piranha

Aos 45 do segundo tempo, o compositor lançou esse álbum que é pura alegria. Marcelo Nakamura mistura o regionalismo da música manauara com a safadeza do tecnobrega. As letras bem-humoradas são repletas de gírias amazonenses e temas super atuais, como caçadores de like e aquela vontade de ficar em casa vendo Netflix. 

MELHOR ÁLBUM DE ROCK PRA BOTAR TUDO PRA FORA: 

IDLES – Ultra Mono

Arranjos minimalistas, letras minimalistas, som IMENSO. O IDLES criou um rock que é só deles, meio pós-punk, meio industrial, mas outra coisa. Atrás das letras simples e mântricas, tem muita crítica: masculinidade tóxica, fascismo, desigualdade social, Brexit. Tá tudo na mira. 

MELHOR ÁLBUM POP DESDE A INVENÇÃO DA MADONNA:

Dua Lipa – Future Nostalgia

Fazia muito, mas muuuito tempo que eu não ficava viciado num disco pop. Esse álbum da Dua Lipa foi invadindo devagarinho o meu dia a dia e se instalou no meu cotidiano como quem não quer nada. Mas queria tudo. E levou. Discaço! 

Literatura

Velhinhos

imagem: Isabel Dall’Agnol

Óculos escuros.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Um pôr do sol⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
atrás dos teus cabelos⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
morenos.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Tuas mãos⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
tocando a direção.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
E, em mim, a certeza:⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
União.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Cria-se.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Envelhecermos. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Juntos.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
E não é ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
que eu estava certa? ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Tuas rugas e cabelos⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
brancos descobrem ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
a memória.
Até então⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
guardada.